NOTÍCIAS - LEGISLATIVAS PORTUGAL 2009: SONDAGEM UNIVERSIDADE CATÓLICA/RTP/JN/ANTENA 1 SOBRE AS ELEIÇÕES 24/09/2009

sondagem catolica 2009 09 24

LEGISLATIVAS PORTUGAL 2009: SONDAGEM UNIVERSIDADE CATÓLICA/RTP/JN/ANTENA 1 SOBRE AS ELEIÇÕES 24/09/2009

sondagem catolica 2009 09 24

PS perto da maioria absoluta

A dois dias das legislativas, o PS lidera folgado as intenções de voto, agora a oito pontos percentuais do PSD. Em relação à sondagem da Universidade Católica, publicado pelo DN há uma semana, os socialistas mantêm os 38%, enquanto o partido de Manuela Ferreira Leite desce dois pontos. O BE (11%) perde um ponto, mas está firme na terceira posição.

Com estas previsões, os socialistas elegem 100 deputados (ficam a 16 da maioria absoluta), o PSD 80 e o BE (8 deputados em 2005) ocupará 22 lugares no Parlamento. O CDS-PP terá 15 deputados e a CDU 13. Se domingo as previsões coincidirem com os resultados reais, José Sócrates apenas com dois partidos poderá formar uma eventual maioria absoluta: PSD ou BE.

A estratégia do voto útil, que o PS e PSD usaram nos últimos dias de campanha, parece não ter colhido a simpatia do eleitorado. Nesta sondagem da Universidade Católica para o DN, JN , RTP e Antena 1, realizada entre os dias 17 e 22 de Setembro, o CDS-PP (8%) sobe um ponto percentual e a CDU mantém os 7% da última pesquisa.

Em relação à última sondagem da Universidade Católica, regista-se uma descida significativa do número dos que dizem que poderão votar mas ainda não decidiram em quem (são 12% da amostra). E há um aumento de quatro ponto percentuais daqueles que “de certeza” irão votar - sendo agora 69%.

Ficha técnica - Esta sondagem foi realizada pelo Centro de Sondagens e Estudos de Opinião da Universidade Católica (CESOP) para a Antena 1, a RTP, o Jornal de Notícias e o Diário de Notícias entre os dias 17 e 22 de Setembro de 2009. O universo alvo é composto pelos indivíduos com 18 ou mais anos recenseados eleitoralmente e residentes em Portugal Continental. Foram seleccionadas aleatoriamente 48 freguesias do país, tendo em conta a distribuição da população recenseada eleitoralmente por regiões NUT II (2001) e por freguesias com mais e menos de 3200 recenseados. A selecção aleatória das freguesias foi sistematicamente repetida até que os resultados eleitorais das eleições legislativas de 2002 e 2005 e europeias de 2009 nesse conjunto de freguesias, ponderado o número de inquéritos a realizar em cada uma, estivessem a menos de 1% dos resultados nacionais dos cinco maiores partidos. Os domicílios em cada freguesia foram seleccionados por caminho aleatório e foi inquirido em cada domicílio o mais recente aniversariante recenseado eleitoralmente na freguesia. A intenção de voto foi recolhida através de boletim simulado e voto em urna. Foram obtidos 4367 inquéritos válidos, sendo que 55% dos inquiridos eram do sexo feminino, 38% da região Norte, 19% do Centro, 30% de Lisboa e Vale do Tejo, 7% do Alentejo e 5% do Algarve. Todos os resultados obtidos foram depois ponderados de acordo com a distribuição da população com 18 ou mais anos residente no Continente por sexo (2007) e escalões etários (2007), na base dos dados do INE, e por região e habitat na base dos dados do recenseamento eleitoral. A taxa de resposta foi de 68%.* A margem de erro máximo associado a uma amostra aleatória de 4367 inquiridos é de 1,5%, com um nível de confiança de 95%.

PS
O secretário-geral do PS, José Sócrates, entrou hoje no penúltimo dia de campanha com o objectivo de travar excessos de euforia em consequência das sondagens, advertindo que as eleições só no domingo podem ser ganhas.

"Há para aí muitas sondagens, mas quero dizer-vos o seguinte: nenhuma sondagem ganha eleições. O que ganha as eleições é o voto dos portugueses", afirmou, dirigindo-se aos apoiantes presentes num almoço comício em Paços de Ferreira.

Sócrates aproveitou o seu discurso para avisar os socialistas em relação ao princípio de que "em democracia ninguém tem a certeza da vitória" e, como tal, o PS "não tem a certeza da vitória".

"Há uma certeza que temos: não a certeza da vitória, mas a certeza de merecer essa vitória eleitoral", disse.

Sobre cenários eleitorais falou também hoje o dirigente socialista Augusto Santos Silva, que não se referiu directamente à meta de repetição da maioria absoluta de 2005, mas adiantou no entanto que "a renovação da maioria sempre esteve ao alcance" dos socialistas.

Tal como Sócrates, também Augusto Santos Silva se mostrou prudente em relação às sondagens que atribuem a vitória ao PS no domingo e recusou pronunciar-se sobre eventuais entendimentos pós eleitorais com outras forças de esquerda.

"O povo português dirá quem é o primeiro-ministro, quem forma Governo e em que condições", sustentou o ministro dos Assuntos Parlamentares.

Numa jornada de campanha que começou no interior do distrito do Porto, nos concelhos de Baião e de Lousada, o líder socialista procurou também dramatizar o que está em causa nestas eleições legislativas.

"O país precisa mais do que nunca de estabilidade e de confiança. O PS é o único partido capaz de ter uma resposta contra a crise, para modernizar o país e combater as desigualdades", defendeu num breve discurso, depois de ter sido recebido de forma calorosa em Baião.

Depois, a caravana socialista seguiu para Lousada, onde Sócrates se limitou a tomar um café, enquanto a mandatária do PS para a juventude, Carolina Patrocínio, dava dezenas de autógrafos, sobretudo a crianças.

Ao fim da manhã, José Sócrates teve a companhia do presidente do PS, Almeida Santos, que o definiu como "o melhor" primeiro-ministro de Portugal desde o 25 de Abril de 1974, que se mostrou convicto que o PS vencerá por margem "significativa" no domingo e que deixou uma crítica indirecta ao PSD:

"Quem faz uma campanha a explorar a asfixia e o medo não merece ganhar umas eleições", advogou o presidente do PS.

Um dos momentos altos da campanha do PS acontecerá hoje, ao fim da tarde, com uma arruada na rua de Santa Catarina, na baixa portuenses, onde os socialistas esperam concentrar milhares de apoiantes. O dia termina com um comício em Viana do Castelo já de noite, sendo o último dia de campanha, sexta-feira, totalmente dedicado a Lisboa.

PSD
A presidente do PSD dedica o final da sua campanha às duas maiores cidades do país e procura, nesta recta final, acentuar que os portugueses vão optar entre dois caminhos e duas pessoas "radicalmente diferentes".

"No próximo domingo vai estar em causa uma verdadeira escolha. Não é uma eleição qualquer ou uma eleição em que os projectos se confundam, uma eleição em que as pessoas que os personificam se confundam, é uma eleição em que estão em causa dois caminhos completamente diferentes para o país", disse, em Vila Nova de Gaia.

Hoje a presidente do PSD vai passar a tarde e a noite no Porto e na sexta-feia encerra a campanha em Lisboa.

Numa altura em que as sondagens apontam para uma subida do PS nas intenções de voto, mas também para a existência de um terço de indecisos, Ferreira Leite desvaloriza a vantagem dos socialistas, lembrando o que aconteceu nas europeias -- que o PSD venceu contra o que previam praticamente todos os estudos de opinião.

"Preocupam-me tanto quanto me preocuparam as sondagens feitas para as eleições europeias, que não foram há muito tempo", comentou a presidente do PSD -- dando a mesmo resposta que deu ao longo da campanha sempre que foi questionada sobre as sondagens.

O discurso do PSD desenvolveu-se em torno de dois eixos principais -- a denúncia de um clima de "asfixia democrática" e de "medo" causado pelo PS e a responsabilização do primeiro-ministro, José Sócrates, pelo "empobrecimento do país".

Ferreira Leite acusou Sócrates de ter conduzido a economia a "uma situação de catástrofe" e de se desculpar com a crise internacional. "O povo não esquece que a crise é do PS", gritou todos os dias a JSD.

O tema do estado da democracia e da liberdade de expressão em Portugal tornou-se central a partir do sexto dia de campanha oficial para as legislativas, em que a presidente do PSD disse que o PS "trouxe o medo" a Portugal como não acontecia desde o 25 de Abril e que as pessoas temem ser escutadas.

O apelo ao voto útil no PSD como única forma de "tirar de lá o engenheiro Sócrates" foi uma constante no discurso de Ferreira Leite.

Contudo, uma sucessão de "casos" ou "fait-divers" -- nas palavras da presidente do PSD -- intrometeu-se na mensagem social-democrata, a começar pelas reacções de Espanha à sua oposição ao TGV, passando pela alegada compra de votos na distrital de Lisboa do PSD e terminando com o caso das "escutas" a Belém.

A manchete do DN que identificava Fernando Lima como a fonte de uma notícia do Público sobre alegadas suspeitas de espionagem a Belém, com base num e-mail interno daquele jornal, "insuflou" nos dias seguintes a retórica social-democrata sobre um clima de condicionamento que atingia também jornalistas.

Três dias depois, o afastamento de Fernando Lima da assessoria de Belém decidido pelo Presidente da República teve o efeito oposto -- embora o PSD negasse que esta demissão tivesse afectado a sua campanha e o fundamento da sua denúncia da "asfixia democrática".

Se a comitiva do PSD preferiu a reserva sobre aquela decisão de Cavaco Silva, já o cabeça-de-lista social-democrata por Santarém, Pacheco Pereira, veio publicamente considerar que o Presidente "interferiu de facto na campanha eleitoral" e "mais valia agora que dissesse tudo" o que tem para dizer.

Nos últimos dias de campanha, o PSD apostou em acenar com a possibilidade de o PS vir a entender-se com o BE, afirmando que "o país é que deve temer esse cenário".

BE
Francisco Louçã afirmou hoje que apesar das últimas sondagens apontarem menos intenções de voto no seu partido todas "demonstram que o PS não alcança a maioria absoluta" e confirmam os bloquistas como a força que retira essa maioria.

"Quanto mais José Sócrates pedir a maioria absoluta, mais demonstra a fragilidade da sua política e mais alerta todos os eleitores, e particularmente os eleitores socialistas que lhe deram maioria absoluta há quatro anos e que se arrependeram disso", referiu o líder bloquista.

Louçã falava aos jornalistas no final de um debate com estudantes na Universidade de Aveiro, a propósito das últimas sondagens divulgadas - que apontam uma 'descolagem' do PS em relação ao PSD e que mantêm o BE como terceira política, mas com menos percentagem de votos (cerca de 9 por cento) do que no início da campanha, onde tiveram resultados, de 11, 13 e 16 por cento.

"Em qualquer caso, as sondagens confirmam o BE como a força que tira a maioria absoluta ao PS e fico muito feliz se estes resultados se confirmarem. As sondagens demonstram que o PS, com a vantagem que tem, não alcança a maioria absolutae isso é para nós uma extraordinária vitória", acrescentou.

Questionado sobre se o seu partido irá apelar ao voto útil, Francisco Louçã respondeu que "todo o voto no BE é voto útil porque acaba com a maioria absoluta".

CDS
A campanha eleitoral do CDS-PP foi "certinha" e bem comportada, alheia aos "incidentes" entre PS e PSD, com Paulo Portas ao ataque a Sócrates e a resistir à tentação de pedir os "dois dígitos".

Paulo Portas fez a festa nas ruas e feiras, onde teve os seus momentos mais altos, dançou com peixeiras, tocou pandeireta, e não se desviou do seu "caderno de encargos", apostado em transformar o CDS-PP na terceira força política.

O BE e o PCP, mas sobretudo o Bloco de Esquerda, por aparecer à frente nas sondagens, foram "eleitos" os adversários principais do CDS-PP.

Nos comícios, Paulo Portas e outras figuras como o eurodeputado Nuno Melo e Lobo Xavier advertiram para os "perigos" da subida da esquerda, agitando o "fantasma" das nacionalizações e lembrando o período revolucionário pós-25 de Abril.

Depois de em 2005 ter falhado o objectivo de atingir os 10 por cento, o que o levou a demitir-se da liderança, Portas recusou desta vez quantificar metas, apesar de hoje, em Faro, ter dito que "talvez" o fizesse.

A "tarefa" ficou a cargo de Nuno Melo, que no primeiro jantar em que participou, Famalicão, disse estar convencido que o CDS ia atingir os dois dígitos.

Muito centrado em ser a "oposição mais eficaz" ao primeiro-ministro, José Sócrates, Paulo Portas não esqueceu outros alvos preferidos: o ministro da Agricultura, Jaime Silva, e a ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues.

Os ataques ao primeiro-ministro e líder do PS, José Sócrates, marcaram o discurso de Portas, que pediu votos para "impedir uma maioria absoluta de um só partido".

Já as críticas ao PSD existiram mas foram mais cautelosas. Sem falar em possíveis coligações, Portas apelou ao voto para uma "maioria de na direita" rejeitando assim o argumento do "voto útil" pedido pelo PSD, e apelou aos eleitores para compararem "entre as lideranças e esquecerem as siglas".

Fixado na sua agenda, Portas recusou falar da "campanha de incidentes e casos", limitando-se a enumerá-los para se demarcar, como o "caso das escutas".

A campanha das legislativas foi também a campanha em que Paulo Portas e o ex-líder Ribeiro e Castro puseram de lado as divergências e mostraram-se unidos para enfrentar o "inimigo comum", o Governo do PS.

Nas duas semanas de campanha oficial, Paulo Portas percorreu cerca de quatro mil quilómetros de estrada, e cumpriu na grande maioria das vezes os horários previstos nas iniciativas, sem se desviar muito do guião inicial.

Ao longo da campanha, o CDS-PP empenhou-se em mostrar que o partido está mobilizado, reunindo centenas de militantes em jantares.

Em termos de mobilização, o momento mais alto foi o jantar em Viseu, que reuniu perto de 1400 militantes, em que foi necessário pôr mais mesas.

A campanha não teve propriamente um momento que marcasse qualquer viragem, mas foi notória a crescente satisfação da comitiva quando se percebeu que o discurso de Portas, sobretudo contra "os abusos do rendimento mínimo" eram replicados nas ruas ou nas feiras no dia seguinte, fosse para elogiar ou para criticar.

Cortar 25 por cento das verbas do Rendimento Social de Inserção para aumentar as pensões mais baixas em 10 euros por mês, a mudança das leis penais, o apoio às IPSS e a defesa da agricultura foram os temas do "caderno de encargos" do CDS-PP mais repetidos.

PCP
O secretário-geral do PCP afirmou hoje que "o verdadeiro Partido Socialista, de Sócrates arrogante" já se começou a revelar, depois de sondagens que indicam uma vitória ao PS.

"Bastaram os primeiros sinais, através das sondagens, que são sondagens baratas, com a perspectiva de vencerem, aí está o Partido Socialista, o verdadeiro Partido Socialista, de Sócrates arrogante", afirmou Jerónimo de Sousa, numa "arruada" na Baixa da Banheira.

O líder comunista afirmou que o PS recorreu "à ofensa, à suspeição, às questões laterais, às questões de feitio, à forma de estar na campanha", mas não esclareceu se pretende "revogar os aspectos negativos do Código de Trabalho e atender às reclamações dos trabalhadores, dos desempregados, dos reformados".

Jerónimo de Sousa insistiu que o PS tem uma "agenda adiada".

"Se o resultado lhes for favorável e lhes permitir praticar uma política isoladamente, no dia seguinte voltarão a agarrar nessa agenda, nessa ofensiva que foi travada pelos trabalhadores e pelas populações", sustentou.

Quanto às sondagens que colocam a CDU em quinto lugar, Jerónimo de Sousa voltou a desvalorizar, afirmando que "nunca acertam" nos resultados que depois a coligação PCP/Verdes conquista.

O "termómetro", disse, é a adesão às acções de campanha e o apoio que afirma sentir nas ruas.

"Medimos bem a temperatura e o ambiente por isto", sublinhou, referindo-se à "arruada" na Baixa da Banheira, no concelho comunista do Barreiro, com a participação de algumas centenas de apoiantes, reiterando que a CDU "vai crescer e vai aumentar o número de votos e de mandatos".