SUGESTÕES - LIVRO: MANOEL DE OLIVEIRA, CEM ANOS

MANOEL DE OLIVEIRA CEM ANOS

LIVRO: MANOEL DE OLIVEIRA, CEM ANOS

João Benard da Costa e Manoel de Oliveira
Estudos
Editora: Cinemateca Portuguesa - Museu do Cinema
Data: 2008
Prefácio de Agustuina Bessa-Luís, texto de Victor Erice; 273 páginas.

Com texto de João Benard da Costa e uma extensa entrevista de Manoel de Oliveira, a Cinemateca Portuguesa edita um catálogo por ocasião dos cem anos do grande cineasta.
Um dos realizadores mais originais da história da sétima arte, Oliveira cria uma obra que não cessa de estabelecer relações profundas com o teatro e a literatura. Desde 1963, com a sua segunda longa-metragem, O Acto da Primavera, registo de um Auto da Paixão interpretado ao ar livre pela população de uma aldeia de Trás-os-Montes, deixa bem claro que o seu cinema não pretende reproduzir a realidade, mas a sua representação. Quase trinta anos depois, em O Dia do Desespero, sobre os últimos anos de vida de Camilo Castelo Branco, os actores dizem face à câmara: “Eu sou Mário Barroso e vou representar Camilo”, “Eu chamo-me Teresa Madruga e vou representar Ana Plácido”.
Com Amor de Perdição (1978), adaptação “literal” do romance homónimo, enuncia outro dos postulados da sua obra: o texto é soberano, é emoção e movimento, é em si próprio “mise en scène”. Surgem os longos planos fixos que, para o bem e para o mal, ficarão para sempre associados ao seu cinema.
Agustina Bessa-Luís escreve no presente catálogo a propósito do realizador: “Não faz filmes continuamente para chegar à perfeição, mas porque ama o imprevisto, o desconhecido de cada trabalho”. Por isso, no centenário do seu nascimento, não festejamos só o “Passado e o Presente”, mas também o futuro de Manoel de Oliveira.